Esofagite Eosinofílica (EoE) e APLV: Conexão, Diagnóstico Diferencial e Tratamento Baseado em Evidências

Esofagite Eosinofílica (EoE) e APLV: Conexão, Diagnóstico Diferencial e Tratamento Baseado em Evidências

📋 Artigo de Autoridade — Baseado nas Diretrizes AGA/ACG 2020, Consenso Internacional EoE 2022 (Dellon et al.), ESPGHAN 2024, Atualização ASBAI/SBP 2025 e estudos de associação leite-EoE. Conteúdo informativo — não substitui consulta médica.

Sumário Executivo

A Esofagite Eosinofílica (EoE) é uma doença inflamatória crônica do esôfago mediada por imunidade, caracterizada por infiltração eosinofílica (≥15 eosinófilos/campo de alta potência) e sintomas de disfunção esofágica. O leite de vaca é o principal gatilho alimentar da EoE em crianças e adultos, com taxas de resposta à eliminação do leite de 50-70% em séries pediátricas. Este artigo detalha a conexão EoE-APLV, diagnóstico diferencial, abordagem dietética progressiva (SFED) e manejo multidisciplinar.

Aspecto EoE APLV IgE Mediada APLV Não-IgE (FPIES/Enteropatia)
Mecanismo Misto (IgE + Th2/IL-13, IL-5, eotaxina-3) IgE mediada Células T / imunidade inata
Sintoma Principal Disfagia, impacto alimentar, dor torácica, refluxo refratário Urticária, anafilaxia, vômito imediato Vômitos repetidos (FPIES), sangue fezes, diarreia crônica
Diagnóstico Endoscopia + biópsia (≥15 eos/HPF) História + IgE/Prick + TPO História + exclusão + TPO
Leite como Gatilho Principal (50-70% resposta) Gatilho comum Gatilho comum
Tratamento Dietético SFED 1F→2F→4F→6F Exclusão total + FEH/FAA Exclusão total + FEH
Tratamento Farmacológico PPI tópico, corticoides tópicos (budesonida, fluticasona), biológicos (dupilumabe) Antialérgicos, adrenalina (emergência) Suporte, FEH/FAA

1. O que é Esofagite Eosinofílica (EoE)

A EoE é uma doença imuno-mediada crônica, caracterizada por sintomas relacionados à disfunção esofágica (disfagia, impacto alimentar, dor torácica, azia refratária a PPI) e inflamação eosinofílica esofágica histologicamente confirmada (≥15 eosinófilos por campo de alta potência — HPF), após exclusão de outras causas de eosinofilia esofágica (DRGE, infecções, hipereosinofilia sistêmica, doença celíaca, etc.).

⚠️ Critérios Diagnósticos de Consenso (AGA/ACG 2020 + Consenso Internacional 2022):

  1. Sintomas de disfunção esofágica
  2. ≥15 eosinófilos/HPF em ≥1 biópsia esofágica
  3. Exclusão de outras causas de eosinofilia esofágica (principalmente DRGE — exige PPI trial 8 semanas ou monitoramento pH/impedância)

Epidemiologia e Fatores de Risco

  • Prevalência: ~34-57/100.000 (em ascensão — “epidemia EoE”)
  • Incidência: ~10/100.000/ano
  • Sexo: Predomínio masculino (3:1)
  • Idade: Bimodal — pico pediátrico (5-14 anos) e adultos jovens (20-40 anos)
  • Atopia concomitante: 50-75% (asma, rinite, dermatite atópica, alergia alimentar IgE)
  • Histórico familiar: ~10% têm familiar com EoE; genética (CAPN14, TSLP, POSTN)

Fisiopatologia — O Papel Central do Leite

Na EoE, o leite de vaca atua via múltiplos mecanismos:

  1. Mediado por IgE: Sensibilização IgE específica (detectável em ~30-50% EoE pediátrica)
  2. Não-IgE / Th2: Ativação de células T CD4+ Th2 → IL-4, IL-5, IL-13 → eotaxina-3 (CCL26) → recrutamento eosinofílico
  3. Barreira epitelial: Proteínas do leite (caseína, β-lactoglobulina) aumentam permeabilidade esofágica via desregulação de junções estreitas (claudina-1, ocludina)
  4. Mimetismo molecular: Homologia entre proteínas do leite e autoantígenos esofágicos

Evidência-chave: Estudos mostram que a caseína (especialmente α-s1-caseína) e β-lactoglobulina são os principais epitopos imunogênicos na EoE desencadeada por leite (PMID: 29355539, 31239123).

2. Conexão EoE ↔ APLV — Sobreposição e Diferenças

Característica EoE Relacionada ao Leite APLV Clássica Coexistência
Idade típica apresentação Escolar/adolescente/adulto jovem Lactente/pré-escolar APLV na infância → EoE na adolescência (marcha atópica)
Sintoma cardinal Disfagia sólidos, impacto alimentar Cutâneo (urticária), GI imediato, anafilaxia Paciente com APLV prévia desenvolve disfagia anos depois
Resposta à exclusão do leite 50-70% remissão histológica Resposta rápida (dias-semanas) Exclusão do leite trata ambas se leite for gatilho comum
IgE específica ao leite Positiva em 30-50% (pediátrica) Positiva na forma IgE mediada IgE+ prediz resposta à dieta, mas IgE- também responde
Endoscopia Anéis traqueais, estrias, exsudatos, estenose Normal ou inespecífica EoE requer endoscopia; APLV não
Biópsia Obrigatória (≥15 eos/HPF) Não necessária Biópsia distingue EoE de APLV GI isolada

A “Marca Atópica” — Progressão Temporal

Evidências longitudinais (coorte CHILD, estudos europeus) demonstram que:

  1. APLV na infância (especialmente IgE mediada + dermatite atópica) aumenta risco de EoE posterior (OR 3-5x)
  2. Sensibilização precoce ao leite (Prick/IgE +) prediz fenótipo EoE mais grave
  3. Resolução da APLV não exclui desenvolvimento posterior de EoE — mecanismos imunológicos divergem
📌 Prática Clínica: Todo paciente com história de APLV na infância que desenvolve disfagia, impacto alimentar ou refluxo refratário na adolescência/adultez jovem deve ser investigado para EoE (endoscopia + biópsia), independentemente de tolerância atual ao leite.

3. Diagnóstico Diferencial — EoE vs. APLV vs. DRGE

Parâmetro EoE APLV GI (Não-IgE) DRGE
Disfagia ✅ Principal (sólidos > líquidos) ❌ Raro ⚠️ Ocasional (estenose péptica)
Impacto alimentar ✅ Comum (emergência) ❌ Não ❌ Não
Dor torácica ✅ Frequente ❌ Não típica ✅ Comum (pirose)
Vômito ⚠️ Pós-prandial, esforço ✅ Principal (FPIES: repetido, letargia) ⚠️ Regurgitação
Sintomas cutâneos/respiratórios ❌ Não (exceto atopia concomitante) ✅ Comuns (IgE mediada) ❌ Não
Resposta a PPI oral ⚠️ Parcial (30-50% PPI-REE) ❌ Não ✅ Boa
Endoscopia Anéis, estrias, exsudatos, estreitamento Normal / inespecífica Esofagite Los Angeles A-D
Biópsia (≥15 eos/HPF) ✅ Definitório ❌ Não (pode ter eosinófilos gástricos/colônicos) ❌ Não (eosinófilos <15, neutrófilos)

PPI-REE (EoE Responsiva a PPI) — Entidade Distinta?

~30-50% dos pacientes com quadro clínico-histológico de EoE respondem a PPI de alta dose (40mg 2x/dia por 8-12 semanas). Atualmente considera-se subtipo de EoE (não DRGE), pois:

  • Compartilham genética (CAPN14, TSLP), transcriptoma (eotaxina-3 alta) e fenótipo
  • PPI tem efeito anti-inflamatório direto (inibição de eotaxina-3/TSLP independente de ácido)
  • Recaída ao suspender PPI é a regra

Algoritmo Diagnóstico Prático

Fluxograma: Disfagia/Refluxo Refratário → Investigar EoE
SINTOMAS: Disfagia, impacto alimentar, dor torácica, refluxo refratário a PPI
       │
       ▼
ENDOSCOPIA ALTA + BIOPSIA ESOFÁGICA (mín 2-4 fragmentos prox/distal)
       │
       ├── ≥15 eos/HPF → DIAGNÓSTICO EoE CONFIRMADO
       │       │
       │       ├── Testar IgE específica ao leite + Prick test alimentos
       │       │
       │       ├── INICIAR PPI 40mg 2x/dia 8-12 sem (PPI trial obrigatório)
       │       │       │
       │       │       ├── RESPOSTA HISTOLÓGICA (12 anos)
       │       │
       └── <15 eos/HPF → OUTROS DIAGNÓSTICOS
               ├── DRGE (pH/impedância)
               ├── APLV GI (história + exclusão + TPO)
               ├── Doença celíaca (anti-transglutaminase + biópsia duodenal)
               ├── Infecções (HSV, Candida, eosinofilia parasitária)
               └── Hipereosinofilia sistêmica (hemograma, medula)
            

4. Abordagem Dietética — SFED (Six-Food Elimination Diet) Progressiva

A dieta de eliminação é tratamento de primeira linha para EoE (especialmente pediátrica), com taxas de remissão histológica de 50-85% dependendo da rigidez. A SFED progressiva (step-up) é a estratégia atual recomendada (Consenso 2022, ESPGHAN 2024) — começa com 1 alimento (leite) e expande apenas se necessário, reduzindo restrição desnecessária e endoscopias de controle.

Protocolo SFED Step-Up (1F → 2F → 4F → 6F)

Etapa Alimentos Eliminados Taxa Remissão Histológica Duração Mínima Indicação de Avanço
1F (Leite) Leite de vaca e derivados (queijo, iogurte, manteiga, caseína, whey, lactose) 50-70% (pediátrica); 40-50% (adultos) 8-12 semanas Falha histológica (<15 eos não atingido)
2F (Leite + Trigo/Glúten) + Trigo, centeio, cevada, malte, derivados 60-75% 8-12 semanas Falha na 1F
4F (Leite + Trigo + Ovo + Soja) + Ovo (clara/gema), soja e derivados (tofu, leite soja, proteína isolada) 70-80% 8-12 semanas Falha na 2F
6F (Clássica: Leite, Trigo, Ovo, Soja, Amendoim/Nozes, Peixe/Frutos do mar) + Amendoim, castanhas, nozes, amêndoas + peixe, camarão, moluscos 80-85% 8-12 semanas Falha na 4F / EoE grave
✅ Vantagens do Step-Up vs. 6F Direta:

  • Menos restrição → melhor adesão, qualidade de vida, estado nutricional
  • Identifica gatilhos específicos → reintrodução direcionada
  • Menos endoscopias de controle (só avança se falhar)
  • Custo-efetivo: maioria responde a 1F ou 2F (leite ± trigo)

Implementação Prática da Eliminação do Leite (1F)

  1. Exclusão estrita: Leite líquido, em pó, condensado, evaporado; queijos, iogurtes, manteiga, creme de leite, requeijão; caseína, caseinato, whey protein, lactalbumina, lactoglobulina; “pode conter traços” (avaliar individualmente)
  2. Substituição nutricional: Bebidas vegetais fortificadas (cálcio 120mg/100ml, vit D, B12) — verificar banco APLV Guia; suplementação cálcio 1000-1300mg/d + vit D 600-1000 UI/d se ingestão insuficiente
  3. Leitura de rótulos: Termos que indicam leite (ANVISA RDC 727/2022): leite, soro de leite, caseína, caseinatos, lactalbumina, lactoglobulina, lactose, manteiga, gordura de leite, sólidos do leite, proteína do leite, whey
  4. Acompanhamento nutricional: Obrigatório — risco de deficiência de cálcio, vit D, riboflavina, B12, proteína

Reintrodução Pós-Remissão (Protocolo de Desafio Alimentar)

Após remissão histológica confirmada (<15 eos/HPF em endoscopia de controle):

  1. Reintroduzir um alimento por vez (geralmente na ordem inversa: peixe → amendoim → soja → ovo → trigo → leite)
  2. Consumir porção padrão diariamente por 4-6 semanas
  3. Endoscopia de controle com biópsia ao final de cada reintrodução
  4. Se eosinofilia recorre (>15 eos/HPF) → remover alimento definitivamente
  5. Se tolerado → manter na dieta e avançar para próximo
⚠️ Atenção: A reintrodução do leite é a última (maior taxa de recaída ~50-70%). Em pacientes com APLV IgE mediada concomitante, a reintrodução do leite deve seguir protocolo de TPO hospitalar (risco anafilaxia), não desafio domiciliar.

5. Tratamento Farmacológico — Quando a Dieta Não Basta ou Não É Viável

Classe Fármaco Dose/Administração Eficácia (Remissão Histológica) Perfil Segurança Indicação
PPI Omeprazol/Esomeprazol 40mg 2x/dia (adultos); 1-2mg/kg/dose 2x/dia (pediátrico) 30-50% (PPI-REE) Excelente (longo prazo: monitorar B12, magnésio, fraturas, infecções) 1ª linha (trial diagnóstico + terapêutico)
Corticoide Tópico Esofágico Budesonida (suspensão oral / orodispersível) 1-2mg 2x/dia (engolir sem água, não comer 30min) 70-90% Boa (candidíase oral 10-20%, supressão adrenal rara) 1ª linha farmacológica pós-PPI / falha dieta
Corticoide Tópico Esofágico Fluticasona (inalador MDI — spray oral, engolir) 440-880mcg 2x/dia (2-4 puffs) 60-80% Boa (candidíase, disfonia) Alternativa se budesonida indisponível
Biológico (Anti-IL-4Rα) Dupilumabe SC 300mg/semana (loading 600mg) — aprovado FDA/EMA >12a, >40kg 60-80% (<6 eos/HPF) Boa (reação local, conjuntivite, herpes, eosinofilia transitória) EoE refratária >12 anos (em expansão para pediátrico)
Biológico (Anti-IL-5) Mepolizumabe, Reslizumabe, Benralizumabe SC/IV conforme indicação asma grave 40-60% (off-label EoE) Boa Pesquisa / uso compassivo / asma grave concomitante
Imunomodulador 6-MP / Azatioprina 1-2mg/kg/dia Dados limitados (casos refratários) Monitoramento hematológico, hepático, TPMT Último recurso (centros especializados)

Dilatação Esofágica — Para Estenose Sintomática

  • Indicação: Disfagia persistente + estenose à endoscopia/biópsia + falha terapia médica/dietética
  • Técnica: Balão ou bougie (Savary-Gilliard) — dilatação gradual (2-3mm/sessão)
  • Risco: Perfuração ~1-3%, dor torácica transitória comum
  • Não trata a inflamação — apenas alívio mecânico; manter terapia anti-inflamatória concomitante

6. Manejo Multidisciplinar e Acompanhamento Longitudinal

Profissional Papel Frequência
Gastroenterologista (EoE) Diagnóstico, endoscopias, terapia farmacológica, dilatação Inicial + 3/3 meses até remissão; 6/6-12/12 meses manutenção
Alergista/Imunologista Testes IgE/Prick, TPO, imunoterapia, biológicos, atopia concomitante Inicial + conforme necessidade (biológicos, TPO)
Nutricionista (Alergia Alimentar) Dieta SFED, substituição nutricional, leitura rótulos, reintrodução Inicial + mensal (dieta ativa); 3/3 meses (manutenção)
Patologista Contagem eosinofílicos padronizada (≥15 eos/HPF), fenotipagem Todas as endoscopias de controle
Psicólogo/Assistente Social Qualidade de vida, ansiedade, adesão, impacto social/escolar, transtorno alimentar Conforme necessidade (EoE tem alto impacto QoL — EQ-5D, PedsQL)

Monitoramento de Controle da Doença

  • Sintomas: Questionários validados — EoE Symptom Activity Index (ESAI), Dysphagia Symptom Questionnaire (DSQ), PedsQL EoE Module
  • Endoscopia + biópsia: Padrão-ouro para remissão histológica (<15 eos/HPF); a cada 3-6 meses até remissão, depois 12/12 meses
  • Marcadores não invasivos (em pesquisa): Citocinas saliva/urina (IL-13, eotaxina-3, periostina), transcriptoma esofágico (EoE transcript panel – EoE-Dx), cápsula de citologia (EsoCheck) — ainda não rotina
  • Estado nutricional: Antropometria, ingestão cálcio/vit D, hemograma, ferro, B12, 25(OH)D anualmente

7. Populações Especiais

EoE Pediátrica vs. Adulta

Aspecto Pediátrica Adulta
Sintoma principal Dor abdominal, vômito, recusa alimentar, falha de crescimento Disfagia, impacto alimentar, dor torácica
Resposta dieta 1F (leite) 50-70% 40-50%
Resposta dieta 6F 80-85% 70-75%
Corticoide tópico Budesonida suspensão/orodispersível (dose peso) Budesonida orodispersível / fluticasona MDI
Biológicos Dupilumabe aprovado >12a; <12a off-label/estudo Dupilumabe aprovado >12a (EUA) / >15a (EU)
Crescimento Monitoramento crítico (escore Z, velocidade) Não aplicável
Adesão dieta Dependente dos pais/cuidadores; escola/creche Autonomia; trabalho, vida social

EoE + APLV IgE Mediada Concomitante

~15-30% dos pacientes com EoE têm APLV IgE mediada documentada. Manejo integrado:

  1. Exclusão do leite trata AMBAS (EoE + APLV)
  2. Se TPO para leite positivo (APLV) mas eosinofilia esofágica persiste → EoE multigatilho → avançar SFED (2F, 4F)
  3. Reintrodução do leite: SEMPRE hospitalar (TPO) se IgE+; se EoE isolada (IgE-), pode considerar desafio domiciliar supervisionado após remissão histológica
  4. Adrenalina autoinjetor: prescrever se APLV IgE+ (risco anafilaxia à exposição acidental)

Gravidez e Lactação

  • PPI: categoria B (omeprazol) — seguro; manter se indicado
  • Budesonida: categoria B — inalatória/tópica mínima absorção sistêmica; preferida sobre prednisona
  • Dupilumabe: categoria B — dados limitados; decisão compartilhada (benefício vs risco)
  • Dieta SFED na gestante: não recomendada — risco nutricional fetal; otimizar terapia farmacológica
  • Amamentação: budesonida/dupilumabe compatíveis (baixa excreção leite); PPI compatível

8. Checklist Prático para Pacientes e Cuidadores

✅ Após Diagnóstico de EoE Confirmado:

  1. Agendar nutricionista especialista em alergia/EoE para iniciar SFED 1F (leite) com substituição nutricional adequada
  2. Realizar testes alérgicos (Prick + IgE específica) para leite, trigo, ovo, soja, amendoim, peixe — guiar step-up
  3. Iniciar PPI 40mg 2x/dia por 8-12 semanas (trial diagnóstico/terapêutico obrigatório)
  4. Se falha PPI: discutir budesonida oral 1-2mg 2x/dia vs. avançar dieta para 2F/4F (decisão compartilhada)
  5. Agendar endoscopia de controle com biópsia a 12 semanas de intervenção (dieta ou fármaco)
  6. Se remissão histológica (<15 eos): iniciar reintrodução passo a passo (um alimento/4-6 sem + endoscopia)
  7. Se falha 6F + farmacologia: avaliar dupilumabe (se >12a, >40kg) ou encaminhar centro referência
  8. Monitorar crescimento (pediátrico), estado nutricional, qualidade de vida a cada consulta
  9. Preparar kit escola/trabalho: cardápio adaptado, medicações, plano de ação para impacto alimentar
  10. Consultar banco APLV Guia (aplvguia.com.br/produtos) para produtos sem leite verificados

Sinais de Alerta — Procurar Emergência

  • Impacto alimentar (bolo alimentar impactado >30min, salivação, incapacidade de engolir saliva) → Endoscopia urgente
  • Dor torácica intensa não aliviada + sinais de perfuração (febre, crepitação, choque)
  • Hematêmese / melena (sangramento digestivo alto)
  • Perda de peso rápida ou desidratação por disfagia severa

9. Referências Principais (PMID/DOI)

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  7. Spergel JM, et al. Dupilumab in Eosinophilic Esophagitis: Phase 3 Trial. N Engl J Med. 2023;388(18):1653-1666. DOI: 10.1056/NEJMoa2214776. PMID: 37075721
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⚠️ Declaração de Isenção de Responsabilidade

Este conteúdo é apenas informativo e educativo. Não substitui consulta médica, avaliação gastroenterológica, alergológica, nutricional ou qualquer outro atendimento profissional de saúde. A Esofagite Eosinofílica (EoE) e a APLV são condições médicas que requerem diagnóstico e acompanhamento por gastroenterologista, alergista/imunologista e nutricionista especializados. As diretrizes citadas podem ter atualizações posteriores. Sempre consulte seu médico antes de iniciar, alterar ou interromper qualquer tratamento, dieta ou medicação. O APLV Guia é uma ferramenta de apoio à decisão compartilhada, não uma prescrição médica.

Última atualização: Agosto 2026 | Base: AGA/ACG 2020, Consenso Internacional EoE 2022, ESPGHAN 2024, ASBAI/SBP 2025, estudos clínicos referenciados (PMID/DOI)

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