Diretrizes Brasileiras de APLV 2024/2025: Resumo Clínico para Pais e Profissionais
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/ agosto 28, 2026
Diretrizes Brasileiras de APLV 2024/2025: Resumo Clínico para Pais e Profissionais
📋 Artigo de Autoridade — Baseado no Consenso Brasileiro sobre Alergia Alimentar 2018, Atualização ASBAI/SBP 2025, PCDT APLV 2022 (CONITEC/Ministério da Saúde) e Protocolo SES-DF 2024. Conteúdo informativo — não substitui consulta médica.
Sumário Executivo
As diretrizes brasileiras para Alergia à Proteína do Leite de Vaca (APLV) foram significativamente atualizadas em 2025 pela ASBAI e SBP, construindo sobre o Consenso de 2018 e o PCDT 2022 do Ministério da Saúde. Este artigo sintetiza os pontos essenciais para pais, cuidadores e profissionais de saúde.
A classificação por mecanismo imunológico permanece a base do manejo, mas a Atualização 2025 reforça a importância de diferenciar fenótipos para escolha da fórmula e conduta:
FEH (extensamente hidrolisada) ou FAA (aminoácidos) se grave
Não-IgE Mediada
Células T / imunidade inata
Proctocolite (sangue nas fezes), enteropatia (diarreia, falha de cresc.), FPIES (vômitos repetidos, letargia)
Horas a dias (tardio)
Proctocolite alérgica, FPIES, enteropatia
FEH (extensamente hidrolisada)
Mista
IgE + Não-IgE
Combinação: ex: eczema atópico + sintomas GI
Variável
Dermatite atópica + refluxo/sangue fezes
FEH ou FAA conforme gravidade
⚠️ Atenção: A Atualização 2025 enfatiza que mudanças nas características das fezes, aversão alimentar ou sangue occulto isolado são comuns em lactentes e NÃO devem ser considerados diagnósticos de APLV isoladamente, independentemente do consumo prévio de leite de vaca. O diagnóstico requer história clínica + melhora com exclusão + reaparecimento com provocação (TPO).
SUSPEITA CLÍNICA (história sugestiva + exame físico)
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EXCLUSÃO DIETÉTICA DIAGNÓSTICA (2-4 semanas)
├── Lactente em AM exclusivo → Dieta materna sem leite/vaca (3-14 dias conforme fenótipo)
└── Lactente em fórmula → FEH (proteína extensamente hidrolisada) como 1ª escolha
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MELHORA CLÍNICA SIGNIFICATIVA?
├── NÃO → Reavaliar diagnóstico diferencial (outra alergia, infecção, imunodeficiência, etc.)
└── SIM → TESTE DE PROVOCAÇÃO ORAL (TPO) — PADRÃO-OURO
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├── TPO POSITIVO (reaparecimento sintomas) → CONFIRMA APLV
│ ├── Iniciar/manter tratamento (dieta exclusão + fórmula adequada)
│ ├── Reavaliação a cada 6-12 meses com novo TPO
│ └── Encaminhar centro referência se: anafilaxia, FPIES, EoE, falha FEH
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└── TPO NEGATIVO (sem reação) → DESCARTA APLV
├── Reintroduzir leite/vaca na dieta
├── Investigar outra causa se sintomas persistem
└── Alta do programa de fórmulas (se no SUS)
Pontos-chave da Atualização 2025 sobre Diagnóstico:
TPO padronizado: Protocolo único para IgE e não-IgE (doses, intervalos, monitoramento)
Overdiagnóstico: “Mudanças nas fezes, aversão alimentar ou sangue occulto isolado são comuns e NÃO diagnosticam APLV” (ESPGHAN 2024 + ASBAI/SBP 2025)
IgE específica / Teste cutâneo: Úteis para APLV IgE mediada, mas não confirmam nem excluem sozinhos — TPO continua padrão-ouro
Suplementar mãe: Cálcio 1300mg/d + Vit D + Ômega-3
AM prioridade absoluta. Exclusão materna 3d (IgE) a 14d (não-IgE)
✅ Fórmulas disponíveis no SUS (PCDT 2022 + Portaria 67/2018): Pregomin Pepti, Aptamil Pepti, Neocate LCP/Advance. Fórmulas de arroz (Novamil Rice) não têm consenso formal no Brasil (Consenso 2018/2025) — usar só se falha FEH/FAA e sob supervisão.
4. Teste de Provocação Oral (TPO) — Protocolo Padronizado 2025
A Atualização ASBAI/SBP 2025 padronizou o TPO, alinhando com ESPGHAN 2024 e PRACTALL. O TPO é obrigatório para confirmar APLV (exceto anafilaxia clara com IgE positiva + história inequívoca).
Ansiedade cuidadores, impacto social, alimentação seletiva, escola
📌 Prognóstico: ~50% tolerância aos 1 ano, >75% aos 3 anos, >90% aos 6 anos (ESPGHAN 2024). APLV não-IgE/proctocolite resolve mais cedo (6-12m). FPIES ao leite: ~60-90% resolução aos 3-5 anos. IgE mediada com IgE alta persistente: menor chance resolução precoce.
⚠️ ALERTA IMPORTANTE:Leite de vaca “zero lactose” (sem lactose) CONTÉM PROTEÍNA DO LEITE INTACTA (caseína, soro) — NÃO é seguro para APLV. Apenas remove o açúcar (lactose). Produtos “sem lactose” devem ser marcados como CONTÉM LEITE no banco de dados. NotMilk/NotCo declara “PODE CONTER LEITE” — risco contaminação cruzada; evitar em APLV IgE mediada.
7. APLV na Escola — Direitos e Prática (Lei 13.982/2020 + PNSE + Atualização 2025)
A Atualização ASBAI/SBP 2025 dedica capítulo específico à escola:
Lei 13.982/2020 (PNSE): Garante alimentação segura e inclusão de alunos com alergia alimentar na rede pública
PAE (Plano de Alimentação Escolar): Deve prever cardápio adaptado, treinamento de manipuladores, kit emergência
Carta médica + Plano de Ação Individual: Obrigatórios — descrição alérgenos, sintomas, medicações, contatos
Autoinjetor adrenalina: Escola deve ter acesso e equipe treinada (Lei 13.982 + portarias estaduais)
Não isolamento: Criança com APLV não deve comer separada — adaptação do cardápio coletivo é dever da escola
8. Diferenças Brasil vs Europa (ESPGHAN 2024) — Resumo Prático
Aspecto
Brasil (PCDT 2022 + ASBAI/SBP 2025)
Europa (ESPGHAN 2024)
FEH 1ª escolha
Sim (Pregomin Pepti, Aptamil Pepti no SUS)
Sim (eHF base leite/vaca com RCTs)
Fórmula arroz (HRF)
Não consenso — apenas se falha FEH/FAA
Alternativa válida (arsênico monitorado)
Fórmula soja < 6m
Não recomendada (fitatos, isoflavonas)
Não recomendada < 6m (AAP/ESPGHAN)
TPO obrigatório
Sim (padrão-ouro, exceto anafilaxia clara)
Sim (OFC padrão-ouro, DBPCFC referência)
Fórmulas no SUS
FEH + FAA (Portaria 67/2018, PCDT 2022)
Variável por país (reembolso/receita)
Prevenção precoce
Consenso SBP 2023 alinhado LEAP/EAT
ESPGHAN 2024: introdução 4-6m alérgenos
Imunoterapia oral (OIT)
Emergente — centros referência, protocolos pesquisa
Mais estabelecida (protocolos padronizados)
Biológicos (omalizumabe, etc.)
Off-label / judicial / pesquisa
Omalizumabe aprovado EUA/EU para alergia alimentar